“Não é o projeto ideal, mas também não temos a força ideal”, resumiu Toni Reis, presidente da ABGLT para a Lado A, por telefone, sobre o substitutivo do Projeto de Lei 122/2006 que criminaliza a homofobia no Brasil e que deve ir à votação nesta quinta-feira na Comissão de Direitos Humanos do Senado. O projeto, retirado do arquivamento pela senadora Marta Suplicy no início do ano, recebeu nova redação e vem causando um mal estar em quase toda a militância. O projeto original pedia a inclusão dos termos orientação sexual, sexo, identidade de gênero, gênero, idosos e deficientes na Lei do Racismo, que já proíbe a discriminação por raça, cor, credo ou origem. A proposta foi trocada por novo texto, por Marta, que assumiu sua relatoria, mas agora grupos acusam que houve ausência de debate com a base, o que incendiou as discussões.
Nesta segunda-feira, após perceber com atraso a insatisfação do público com a nova redação do PLC 122, o Deputado Federal Jean Wyllys prometeu convocar uma reunião extraordinária da Frente Parlamentar LGBT já nesta terça-feira, para decidir se irão apoiar o novo projeto ou não. Segundo ele, foi prometido que a frente seria consultada antes da elaboração final do substitutivo e que as reivindicações de pelo menos três deputados da Frente não foram consideradas. Entre algumas afirmações, o deputado chamou o novo texto de inócuo e de fingimento político. Ele prometeu alterar a redação se o mesmo for aprovado no Senado e chegar à Câmara.
Militantes gays em desacordo com o novo projeto de lei cobram uma posição oficial da ABGLT – Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Na internet, grupos se organizam para protestar contra a nova redação e empunham a campanha #plc122deverdade. Até a família de Alexandre Ivo, menino morto em 2010 pela homofobia e que empresta o nome à lei, já foi colocada na discussão. Toni Reis, que participou de reuniões para a elaboração da proposta, acredita que é preciso calma e afirma que há muitos erros de comunicação. Para ele, toda a discussão ocorrida por conta do projeto de Marta é benéfica, pois o debate está sendo fortalecido.
De fato, parte da confusão é causada por briga política, outra por falta de articulação e por uma ansiedade demasiada. O projeto esta sendo discutido e está andando, o que já pode ser considerado como uma vitória, se tratando do Brasil. Porém, as vítimas da homofobia tem pressa, e a cada dia morrem mais LGBTs por causa da ausência de uma lei que criminalize a homofobia, o que o novo projeto de lei faz, mas se emparrelhando a leis que não funcionam. Mas no caso de homicídios ou tentativas, a proposta aumenta a pena em 1/3, pois atua como agravante. O ideal, sem dúvidas, seria ocupar a mesma importância da Lei do Racismo, que teve efeito prático comprovado. Além de tudo, colocar o preconceito contra homossexuais abaixo da Lei de Racismo em sua importância nominal, parece inoportuno e preconceituoso.
Fonte: Revista Lado A
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